Pois é, meus queridos. Me deparei com essa campanha de antiaborto no Facebook.
A princípio, eu não ia dizer nada, mas tem algo que está me incomodando enormemente.
Vamos falar sobre pontos essenciais:
Primeiro, vou colocar alguns links sobre o assunto:
Ciência hoje, uol - Scielo - Aborto no Brasil - Wikipédia - BBC - Notícia
Há maravilhosos textos falando sobre o lado da mulher, mas e o lado da criança?
''Mas você é uma burra, se a criança nem nasce, como é que tem o lado da criança?"
Calma, eu explico.
Vamos falar sobre as crianças já nascidas. Crianças que as mães gostariam de ter abortado, mas não o fizeram, seja por medo da cadeia ou medo de passar por um açougueiro qualquer e morrer na mesa. Ora, todos concordamos que a melhor forma de se criar uma criança é com amor, carinho e paciência. Criar uma criança é extremamente complexo e mesmo pais que se sentiam preparados para o dito, tem problemas. Ter um filho é uma vida de imprevistos. Imprevistos que só quem tem vontade, de superar, conseguirá. E querer, nesse caso, definitivamente é poder. Não existe conselho tutelar que altere a mentalidade de uma mãe que não se sente mãe.
Quantas dessas crianças, nascidas porque o Estado determinou, são criadas com todo o amor e carinho que mereciam? Quantas não são xingadas, espancadas, maltratadas todos os dias?
Você pode se defender dizendo que sua mãe xingava você disso ou daquilo. Para uma criança indesejada, o tom da palmada é completamente diferente. Sua mãe, muito provavelmente, te dava palmadas para te ensinar, porque queria seu bem. No caso de mulheres forçadas a ser mães, a palmada é um modo de descarregar a raiva e a frustração. Sim, é um crime, mas acontece. É justo destruir a mentalidade de uma criança e fazê-la se sentir mal por nascer só para 'castigar' a mãe dela(e geralmente só a mãe, porque ninguém cobra porcaria nenhuma do pai) que fez sexo sem camisinha numa noite aí? Qual a diferença de termos um aborto ou um suicídio? Qual a diferença de termos um aborto ou uma pessoa desequilibrada pelo resto da vida?
Eu não estou falando de exceções. As exceções no caso de uma mãe que não quer ter e é obrigada, mesmo depois que ela manifesta a vontade de não ter, são aquelas que ao apanhar o bebê nos braços, se tornam verdadeiras mães, dispostas a tudo. Mas a maioria não funciona assim. Depressão pós-parto é um de vários resultados possíveis.
Na nossa atual legislação, não se pode dar uma criança para adoção, independente das causas. A única forma que essas crianças vão é se forem abandonadas - o que geralmente causa a prisão da mãe - ou se a justiça as tirar do lar via ação judicial. Mas isso, só será feito se as crianças sofrerem maus tratos físicos ou passarem necessidade. Logo, nenhuma criança que for maltratada verbalmente e nenhuma criança que não consiga uma pessoa para testemunhar sobre isso, vai continuar morando na casa de quem a maltrata.
Eu sou mãe, meus filhos não foram planejados, mas eu os amo. Eu estou pronta para todas as dificuldades que tenho e terei com eles. Mas é justamente por amar os meus filhos que não quero que outras crianças passem pela situação descrita acima. Você aí, que acha que qualquer desculpa é válida para forçar uma mãe a parir uma criança, mesmo que ela não esteja pronta, mesmo que ela seja uma criminosa em potencial, mesmo que ela seja mentalmente incapaz, mesmo que ela seja maltratada pelo pai da criança que posteriormente maltrata a criança também, mesmo que isso não faça nenhuma diferença real na sua vida, tente rever sua opinião. Tente pensar no que faz a diferença para outras pessoas. Legalizar o aborto não quer dizer que você é obrigada a abortar. Não quer dizer que você tem que achar bonito. Quer dizer que as pessoas que querem fazer isso, por qualquer razão que elas possam ter - inclusive a de não estarem preparadas para ter um filho - possam fazê-lo sem ir para a cadeia.
Lembrando que o procedimento legal de aborto tem um limite de tempo para ser executado e que junto com essa legalização, devem vir medidas para tratar a mentalidade da paciente em relação ao bebê, fazendo-a ponderar sobre e se possível, estimulando e encorajando-a a dar a luz.
Coisas que significam legalizar o aborto:
- Legalizar a possibilidade de se abortar um embrião, nas primeiras semanas, antes do cérebro e o resto do sistema nervoso se formar.
Coisas que não significam legalizar o aborto:
- Soltar assassinas no mundo
- Dar um passe livre para todo mundo fazer todo o sexo que quiser (até porque, todo mundo já faz isso, com ou sem aborto legalizado)
- Dar permissão de mães matarem bebês já nascidos
- Qualquer outra desculpa esfarrapada para sua desinformação sobre o assunto.
Outro ponto importante já foi dito à exaustão... Quem quer abortar, provavelmente vai abortar. Seja tomando um cházinho maroto, seja numa clínica com um açougueiro, seja dando socos na barriga para provocar um aborto espontâneo (sim, tem pessoas que fazem isso). Vou repetir mais uma vez...
O aborto pode ser algo impensável para você. Porque é algo que você não precisa fazer. É algo que só é considerado quando a necessidade aparece. Porém, existem pessoas que neste momento precisam fazer. E não podem, sabe por que? Porque você não deixa.
Vamos fazer um exercício mental e imaginar um mundo onde você não pode ter filhos por métodos naturais porque é proibido pelo governo. As formas usadas são inseminação artificial ou reprodução in vitro. Porém, você quer muito ter um filho por métodos naturais. Daí, você começa um movimento na sociedade para que você tenha o direito de fazer isso. A maioria da população é contra, dizendo que para se reproduzir tem que haver sexo e sexo é demoníaco ou errado por qualquer razão.
Sua liberdade enquanto ser humano, de poder ter seus filhos de forma natural, é mais ou menos importante que a obrigação que o estado inventou de não poder ter? O que, a sua decisão pessoal, afeta a sociedade como um todo?
Cá estamos, esse é o dilema das mulheres que precisam abortar por qualquer motivo, mas você não deixa, por causa do que você acha que é bom para você.
O que encaixa no círculo, nem sempre encaixa no quadrado. A liberdade deve existir na mesma proporção para todas as pessoas.
Nany out!


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