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sábado, 10 de outubro de 2015

Inspira e pira - Bloody Mary


Olá corações!

Esse post esteve originalmente no blog oficial de Domnall September, mas agora veio fazer morada aqui.

A inspiração foi esse vídeo divoso feito por um fã da Lady Gaga,  Ruben Cortez. Confira o vídeo:



- Foi você, Mary. Só você estava naquele momento. Eram somente você e aquele punhal. Mesmo o punhal deve ter chorado de estar nas tuas mãos imundas e ter sido usado para teus fins pouco dignos da piedade de Deus. Você sabe o que acontece com assassinos pela Lei do Senhor, Mary?

A mulher manteve-se em silêncio, diante do carcereiro que zombava de sua prisão. Em tempos passados, este fora um de seus melhores soldados. O mais leal, mais honrado. Aquele que a protegera quando resolviam atirar suas flechas querendo alcançá-la. Aquele que elevara a voz quando as primeiras acusações vieram, mas naquele momento, nem mesmo ele acreditava nela.

- Não importa o que eu diga, você já me condenou, assim como o povo. Minha atitude mais sábia é calar-me e esperar que minha execução chegue. - Disse olhando para o lado contrário, vazia de vontade. Vazia de sentimento.

- Covarde! - Foi o grito que ouvira do carcereiro. - Nem mesmo ousará defender-se da minha acusação? Lady Mary... Não vai dizer a verdade, nem ao menos para mim? - O tom dele parecia diferente conforme ele ajoelhara-se ao lado da porta da cela, esperando que sua Rainha, aquela que sempre lhe fora o símbolo da pureza e retidão, se defendesse daquilo que a chamaram. - Me diga que não é verdade, Lady Mary. Me diga que eles mentiram e eu a ajudarei a escapar.

Por alguns instantes, a mulher de cabelos negros ponderou. Estava pronta para morrer. Seu povo não mais confiava nela e ela não se via fazendo qualquer outra coisa senão comandando seu amado reino. Aliás, seu reino adorado, agora estava nas mãos de alguma de suas três irmãs. Três mulheres que em nada lembravam uma Rainha. Uma sonhadora, a quem eram mais importantes os desejos de liberdade e as fugas para as colinas vazias do que seu povo. Uma aspirante à bruxarias, que vivia nas saias de John Dee e outros feiticeiros que se diziam Astrólogos. Uma luxuriosa, a quem todo e qualquer homem interessava. E quanto Mary rezou para que esses desejos imundos de sua irmã fossem só restritos aos homens.

- Charles... Eu não matei o meu marido. Eu não o amava, mas o respeitava. Respeitava o suficiente para ser esposa dele de verdade. Naquela hora... Ele levou o punhal ao coração e eu, desesperada, pulei nele para arrancar de seu peito, esperando salvá-lo da morte. Foi nessa hora que os criados entraram com os guardas, esperando apaziguar nossa briga e... - As últimas falas de Mary viraram sussurros sem sentido e pouco audíveis. Estavam sendo escondidas por suas lágrimas pesadas e constantes.

Ao ouvir tais palavras, o carcereiro sabia  o que devia ser feito.

- À meia noite, meu turno será trocado. Antes disso, eu passarei aqui e a libertarei para que fuja, Lady Mary. Mesmo que isso me custe a vida.

A Rainha deposta acenou positivamente com a cabeça e esperou pacientemente pelo momento, rezando seu terço, enquanto olhava para a janela. A Lua estava coberta por nuvens pesadas que a cada momento levavam mais e mais seu brilho, deixando a terra do reino envolta em sombras. Sombras perfeitas para uma fuga.

- Lady Mary, está na hora! - Disse o carcereiro abrindo a porta da cela. Um sorriso de felicidade se abriu nos lábios dela ao vê-lo. Ele disfarçou-a dentro de um saco de batatas e foi carregando-a pelos corredores.

- Brennan! O que é isso que carregas? - Perguntou o soldado que o renderia.

- O mercador de batatas perdeu uma aposta contra mim e o pagamento são duas sacas de batatas holandesas. - Charles riu para o amigo. Claro que estava rindo. Estava salvando não só o futuro do reino em que vivia, mas a dama que o inspirou a continuar vivendo nele, a Rainha Mary, que em sua virtude, só podia ser mesmo, nomeada tal qual a virgem mãe de Jesus. -  Mas eu não consigo carregar dois de uma vez. Levo um para casa hoje e o outro, levarei amanhã.

- Ahhh, então está bem. Me dê algumas batatas se elas sobrarem em tua casa, avarento miserável! - Respondeu o outro, também aos risos. A aposta era verdadeira, já que de fato, havia um outro saco de batatas esperando para ser levado embora, no quartinho em que os soldados deviam se arrumar.

Charles acenou positivamente com a cabeça e saiu das vistas de sua rendição. Caminhou com a Rainha ensacada por quase um quilômetro, até chegar finalmente numa área perto da floresta. Lá, a colocou no chão e abriu o saco. Ela o abraçou, emocionada com seu esforço.

- Deus há de tornar-te habitante de seu Reino por essa ação de bondade, Charles.

- Nada que um fiel seguidor de Lady Mary não devesse fazer. Agora, leve essa faca, esse cantil e esse punhado de moedas de ouro. Deve ser o suficiente para que consiga chegar até a próxima cidade. Lá, procure por Irvine. Ele sabe de meu plano e a levará para o reino vizinho. Tenho certeza que encontrará hospitalidade lá.

Ela apanhou aquilo que lhe fora ofertado e beijou a mão do soldado em agradecimento. Ele assentiu e rumou para a própria casa. Mary caminhou para dentro da floresta e assim que chegou numa clareira, ajoelhou-se diante de um tronco, aproveitando-o como um altar. Enrolou seu terço de esmeralda nas mãos e começou sua oração:

- Perdão, Meu Pai, por ter mentido. Mas sei que sua grande Glória, compreende que pessoas inferiores existem para serem usadas como instrumentos de minha magnitude. Rainha, eu fui por Tua Graça e Rainha deverei retornar a ser, protegida por Tua Glória. Se é meu destino mandar outros impuros para a sepultura, assim como enviei o porco que eu tive como marido, enviarei com prazer. Amém.

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Elaine Seskiene, é nascida em São Vicente, no estado de São Paulo, no dia 19 de Setembro de 1987. Começou a escrever cedo. Aliás, tão cedo que se alguém se atrever a perguntar para seus colegas de classe, eles vão dizer que com frequência, ela preferia escrever poemas do que fazer as lições de matemática e outros cálculos. Recentemente, passou a se aventurar no mundo da moda. É uma das metades de Domnall September.

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